Saúde

Primavera acende alerta para alergias e problemas respiratórios

Mudanças no clima, aumento do pólen e piora da qualidade do ar podem agravar alergias e problemas respiratórios durante a estação

A chegada da primavera marca o início da temporada das flores, da elevação da temperatura e do período de mais atenção para quem sofre com alergias e problemas respiratórios.
Espirros, nariz congestionado, coceira na garganta, lacrimejamento e irritação dos olhos estão entre os sinais mais comuns. Pessoas com atopia, ou seja, predisposição a desenvolver respostas alérgicas, podem ser ainda mais afetadas, apresentando crises de rinite alérgica, asma brônquica, conjuntivite alérgica e problemas de pele, como dermatite e urticária.

Os cuidados ganham outra dimensão diante da ocorrência de eventos climáticos extremos. Queimadas, ondas de calor, inundações e excesso de umidade podem criar diferentes condições de risco para a saúde.

“As mudanças ambientais podem atuar como gatilhos para diversos problemas de saúde. Na primavera, temos o aumento do pólen e, ao mesmo tempo, podemos enfrentar períodos de baixa qualidade do ar, calor intenso ou excesso de umidade. Para quem já tem predisposição a alergias ou doenças respiratórias, essa combinação pode significar uma piora dos sintomas”, explica o médico pneumologista Claudio Leal, do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu.

A qualidade do ar merece atenção especial em períodos de queimadas e inversões térmicas. A concentração de poluentes pode aumentar e favorecer o surgimento ou agravamento de problemas respiratórios, especialmente em áreas urbanas.

Já as ondas de calor exigem cuidados redobrados de pessoas com problemas cardiovasculares e hipertensão, pois temperaturas muito elevadas podem interferir na pressão arterial e na frequência cardíaca.

Nas regiões atingidas por inundações, a exposição à água contaminada e às condições precárias de saneamento pode favorecer doenças como leptospirose e hepatites. O ambiente também pode contribuir para a proliferação de mosquitos transmissores de doenças como dengue, chikungunya, zika vírus, malária e febre amarela.

Prevenção

Outro problema que pode passar despercebido está dentro de casa. O excesso de umidade favorece a proliferação de fungos e o aparecimento de mofo, um importante desencadeador de alergias e problemas respiratórios.

O pneumologista Claudio Leal recomenda 10 ações para reduzir a exposição aos fatores desencadeadores:

Manter a casa limpa, ventilada e livre de umidade excessiva;
Trocar a vassoura pelo aspirador de pó, evitando que partículas finas sejam levantadas e permaneçam suspensas no ar;
Lavar roupas de cama com frequência;
Manter janelas fechadas durante períodos de alta concentração de pólen;
Acompanhar os índices de qualidade do ar antes de realizar atividades ao ar livre;
Evitar exercícios em locais e horários com alta concentração de poluentes ou pólen;
Usar protetor solar, chapéu e roupas leves e claras durante a exposição ao sol;
Beber bastante água, principalmente nos períodos de calor intenso;
Seguir corretamente os tratamentos e medicamentos preventivos prescritos pelo médico;
Buscar estratégias para controlar o estresse, que pode contribuir para o agravamento de alguns problemas de saúde: adotar hábitos de vida saudáveis e sustentáveis, como respiração profunda, meditação, relaxamento muscular progressivo, exercício físico regular, alimentação equilibrada e cuidar do sono.

“É importante estar atento às orientações das autoridades de saúde em situações de mudanças climáticas extremas e não ignorar sintomas diferentes do habitual. A prevenção e a busca por atendimento adequado podem evitar que um quadro inicialmente simples evolua para uma condição mais grave”, orienta o especialista.

MGA

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