A função social por trás da inauguração de obras públicas
A função social por trás da inauguração de obras públicas
Autor: Vinícius Marchese, presidente do Confea
Nos últimos meses tive a oportunidade de mediar agendas entre os setores público e privado sobre o Caderno de Tipologias Urbanas Modulares do Programa Bairro Paulista: Cidades Sustentáveis, uma ferramenta produzida pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo para orientar os gestores dos municípios sobre a importância de planejar espaços mais sustentáveis, resilientes e atualizados frente às mudanças climáticas.

Trata-se de uma peça exemplar em sua missão: propor um novo pacto nacional para tornar os espaços urbanos mais justos, democráticos e sustentáveis. É sobre isso que conversaremos neste artigo.
Dessa peregrinação, aprendi a refletir sobre a importância dos atos de inauguração de obras públicas, eventos de suma importância para o bem-estar dos moradores e, igualmente relevantes, para a credibilidade dos gestores.
Esses empreendimentos trazem consigo uma função social bem estabelecida – que por definição – deve priorizar obras que gerem impacto positivo para o maior número de pessoas e promovam conexões com os equipamentos públicos, sem abrir mão do investimento no diálogo com a população, que deve ser priorizado neste tipo de agenda – é ali que os líderes olham no olhos de seus aliados e ouvem as críticas de quem é divergente. Tudo isso é puro suco de democracia.
E os gestores que sabem explorar esse benefício implícito, tendem a ganhar mais rapidamente a confiança da população, e por consequência, administrar melhor os recursos e objetivos intrínsecos às obras.
A partir desta lógica, defendo a tese que a engenharia é a peça-chave para acertar no plano de entregas de cada município, em especial, nas etapas de planejamento, execução e comunicação final – onde a função social precisa ser explicitada, ou se preferir, onde a execução assume o lugar do discurso, para entregar resultados reais.
Aliás, as métricas das engenharias, se aplicadas com sobriedade – considerando revisão por pares e comitês de avaliação – podem transformar esses eventos em experiências de rigor técnico e abertura política entre líderes e população.
Em resumo: acertar no plano de entregas de obras públicas é a maneira mais eficiente de facilitar o trabalho das secretarias municipais que precisam lidar com inúmeras demandas, insatisfações e urgências em suas localidades, principalmente em tempos de desequilíbrio climático, acidentes naturais ou temporada de férias, para ilustrar três poderosos exemplos de sazonalidades que alteram a vida das cidades.
O exemplo do Caderno de Tipologias é um ponto de partida organizado e testado a vera no grande e diversificado território paulista, e por isso o escolhi. E que fique claro: não estamos falando de uma panaceia.
Não existe fórmula pronta, muito menos um documento mágico que irá resolver questões estruturais pura e simplesmente pela execução de suas premissas. Longe disso. Cada obra conta uma história.
E a engenharia assegura que este enredo seja dotado de referências técnicas, respeito às normas e um tipo de orgulho advindo da boa execução do que foi prometido. É nisto que acredito fielmente.
Autor: Vinícius Marchese é presidente do Confea. Engenheiro de formação, é um dos maiores especialistas do Brasil em políticas públicas para as áreas de urbanismo, infraestrutura e planejamento.



