Secador, modelador e chapinha facilitam a finalização, mas a exposição frequente a altas temperaturas pode aumentar o ressecamento, a porosidade e a fragilidade dos fios. O risco é ainda maior em cabelos descoloridos, alisados ou submetidos a outros procedimentos químicos.
O protetor térmico ajuda a reduzir a transferência direta de calor e o atrito durante a modelagem. Entretanto, o produto não impede completamente os danos e precisa ser aplicado de maneira uniforme, na quantidade recomendada e no momento correto.
Também é importante controlar a temperatura e evitar que a ferramenta permaneça muito tempo sobre a mesma mecha. A seguir, entenda como incluir o protetor térmico na rotina e quais erros devem ser evitados.
A fibra capilar é formada principalmente por queratina e apresenta uma estrutura composta por cutícula, córtex e, em alguns tipos de fio, medula. A cutícula funciona como uma camada externa de proteção, enquanto o córtex está relacionado à resistência e à elasticidade.
O calor excessivo pode alterar essas estruturas. Uma pesquisa realizada no Instituto de Química da Universidade de São Paulo observou que os danos aumentam conforme a temperatura e o tempo de contato da prancha com o cabelo.
O estudo também identificou que fios descoloridos ficaram mais porosos, frágeis e suscetíveis à perda de proteínas quando expostos ao calor intenso.
Uma pesquisa mais recente, divulgada pelo Jornal da USP sobre danos químicos e térmicos, mostrou que as alterações podem começar na parte interna da fibra antes de aparecerem de forma equivalente na cutícula. Isso significa que o cabelo pode estar sofrendo danos mesmo quando a superfície ainda parece brilhante.
O protetor térmico é um cosmético sem enxágue formulado para ser aplicado antes da utilização de fontes de calor. Ele pode ser encontrado na forma de spray, creme, fluido, sérum ou leave-in.
Dependendo da fórmula, o produto forma uma película ao redor dos fios, reduz o atrito durante a escovação e ajuda a distribuir o calor de maneira menos agressiva.
Algumas opções também oferecem benefícios complementares, como:
Ao escolher um protetor térmico para cabelo, confirme se a embalagem informa claramente a proteção contra o calor. Nem todo leave-in, óleo ou finalizador possui essa finalidade.
Não. Ele ajuda a minimizar os prejuízos, mas não transforma o cabelo em uma fibra resistente a qualquer temperatura.
Na pesquisa da USP sobre o uso de chapinhas, foram testados um condicionador sem enxágue e uma formulação com silicone. Os resultados variaram de acordo com o estado dos fios. O cabelo descolorido respondeu melhor ao silicone, enquanto o cabelo virgem apresentou resposta diferente ao leave-in avaliado.
Os pesquisadores concluíram que o nível de proteção depende da composição do cosmético, do tipo de produto e da condição inicial do cabelo.
Portanto, mesmo com o protetor, é necessário controlar a temperatura, reduzir o número de passadas e evitar o uso diário de ferramentas muito quentes.
A maioria dos protetores destinados ao secador é aplicada nos cabelos úmidos, depois da lavagem. Entretanto, as instruções do fabricante sempre devem ser conferidas, pois existem fórmulas desenvolvidas para uso em fios secos.
Depois de lavar, pressione uma toalha macia sobre os cabelos para retirar o excesso de água. Não esfregue nem torça os fios, pois eles ficam mais vulneráveis ao atrito quando estão molhados.
O cabelo deve permanecer úmido, mas não encharcado. Quando existe muita água, o produto pode ser diluído e sua distribuição fica mais difícil.
Separe os fios em partes, principalmente se forem longos, volumosos ou muito densos. A divisão ajuda a distribuir o protetor por todo o comprimento.
Aplicar apenas sobre a camada externa deixa as mechas internas expostas ao calor.
A quantidade varia conforme o formato do produto e o comprimento do cabelo. Sprays podem exigir aplicações distribuídas pelas seções, enquanto cremes normalmente são espalhados primeiro entre as mãos.
Comece com uma pequena quantidade e acrescente mais apenas se necessário. O excesso pode deixar o cabelo pesado, opaco ou com aparência oleosa.
Concentre o produto nas áreas que receberão o calor, especialmente comprimento e pontas. Evite a raiz quando a fórmula não for indicada para o couro cabeludo.
Utilize os dedos, um pente de dentes largos ou uma escova adequada para espalhar uniformemente.
Mantenha o secador em movimento e a uma distância segura dos fios. Evite encostar o bocal diretamente no cabelo.
Começar com temperatura moderada e aumentar somente quando necessário reduz a exposição. O jato não precisa estar no nível máximo para produzir uma boa escovação.
A chapinha exige atenção redobrada porque suas placas entram em contato direto com a fibra.
Nunca utilize uma chapinha convencional sobre cabelos molhados ou úmidos. A água presente no interior do fio pode aquecer rapidamente e contribuir para danos à estrutura.
O cabelo deve ser previamente seco. Se o protetor foi aplicado antes do secador e sua embalagem informa que também protege durante o uso da prancha, talvez não seja necessário reaplicá-lo.
Se a fórmula exigir reaplicação antes da chapinha, aguarde o produto secar completamente. Não passe a prancha enquanto os fios estiverem úmidos por causa do spray ou do creme.
Mechas muito grossas costumam exigir várias passadas para alcançar o resultado. Divisões menores permitem que o calor seja distribuído de maneira mais uniforme.
A prancha deve deslizar continuamente. Evite parar no meio da mecha ou pressionar excessivamente as placas.
Não existe uma única temperatura adequada para todos os cabelos. Fios finos, descoloridos, fragilizados ou quimicamente tratados tendem a exigir mais cautela.
A pesquisa da USP mostrou que cabelos descoloridos e alisados apresentaram menor estabilidade térmica do que fios virgens. Portanto, copiar a temperatura utilizada por outra pessoa pode ser inadequado.
Comece com uma configuração mais baixa e aumente apenas se necessário. Se o cabelo apresentar cheiro forte, fumaça, rigidez ou mudança de textura, interrompa o uso.
A resposta depende das instruções do produto e da sequência de finalização.
Se o cabelo recebeu o protetor antes do secador e logo depois será modelado com chapinha, algumas fórmulas oferecem proteção para as duas etapas. Outras orientam uma nova aplicação.
Quando houver reaplicação, utilize pouca quantidade e distribua bem. Espere os fios secarem antes de aproximar a prancha.
No dia seguinte, não presuma que a proteção aplicada anteriormente continua suficiente. Caso seja necessário retocar a finalização, consulte o rótulo e utilize um produto compatível com cabelos secos.
A textura precisa ser compatível com a espessura, a curvatura e o nível de ressecamento.
Costuma ser fácil de distribuir e pode funcionar bem em cabelos finos ou com tendência a pesar. É necessário separar as mechas para evitar que o produto fique apenas na superfície.
Pode oferecer condicionamento e ajudar no controle do frizz. Geralmente é interessante para cabelos médios, grossos, cacheados ou ressecados.
Apresenta textura concentrada e deve ser utilizado em pequena quantidade. Dependendo da fórmula, pode ajudar no alinhamento e no brilho.
Nem todo óleo capilar oferece proteção térmica. Alguns são destinados apenas ao acabamento e podem não ser apropriados antes da chapinha. Utilize somente quando o fabricante declarar essa finalidade.
Na maioria das rotinas, o produto é aplicado no comprimento e nas pontas. O couro cabeludo deve receber apenas fórmulas desenvolvidas para essa região.
Aplicar creme ou óleo próximo à raiz pode aumentar a oleosidade, reduzir o volume e favorecer o acúmulo de resíduos.
Se ocorrer coceira, ardência, vermelhidão ou descamação depois do uso, suspenda o produto. Alterações persistentes devem ser avaliadas por um dermatologista.
Alguns hábitos podem comprometer o resultado:
Também é importante manter secador e chapinha limpos. Resíduos acumulados nas placas podem interferir no deslizamento e aumentar o atrito.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária disponibiliza uma consulta pública para cosméticos regularizados. A pesquisa pode ser feita com dados como nome, marca, CNPJ do fabricante ou número do processo presente no rótulo.
Em um informe de segurança sobre cuidados capilares, a Anvisa também cita o uso de protetor térmico como parte das alternativas para reduzir danos durante o alisamento temporário com prancha.
A regularização não elimina a necessidade de seguir o modo de uso. Mesmo um cosmético autorizado pode causar irritação ou produzir resultados inadequados quando utilizado incorretamente.
Além do protetor, algumas mudanças ajudam a diminuir a exposição:
Cabelos que quebram facilmente ou apresentam elasticidade alterada podem precisar de uma pausa nas ferramentas quentes.
O protetor térmico deve ser distribuído uniformemente antes do secador ou da chapinha, seguindo as instruções do fabricante. Nos cabelos úmidos, retire primeiro o excesso de água. Antes da prancha, certifique-se de que os fios estejam completamente secos.
O produto ajuda a reduzir os efeitos do calor, mas não impede completamente os danos. Temperatura moderada, poucas passadas e menor frequência de uso continuam sendo essenciais.
A escolha também deve considerar o tipo de cabelo e a condição da fibra. Fios descoloridos, alisados ou fragilizados exigem temperaturas mais baixas e atenção redobrada. Com aplicação correta e uso consciente das ferramentas, é possível alcançar uma boa finalização sem submeter o cabelo a uma exposição térmica desnecessária.
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