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Hospital da Região Metropolitana de Campinas realiza neurocirurgia com paciente acordado

Procedimento evita comprometimentos

Dificuldades motoras, na fala, visuais, dores de cabeça persistentes e convulsões. Esses são alguns dos sintomas que se manifestam em quem apresenta um tumor cerebral, maligno ou benigno. As confirmações são feitas através de exames de imagem, como ressonância ou tomografia de crânio. Os tratamentos são variados e dependem do tipo de tumor que o paciente apresenta, mas vão desde rádio e quimioterapia até cirurgias mais complicadas, como a realizada no último dia 13, no Hospital São Francisco de Mogi Guaçu.

O procedimento realizado com o paciente acordado demorou cerca de quatro horas e precisou ser realizado para retirar o tumor cerebral. A equipe contou com o Dr. Mateus Dal Fabbro e também com o auxílio de médicos do Hospital Sírio Libanês, chefiados pelo Dr. Marcos Maldaum. Foi a sétima neurocirurgia como essa no Hospital São Francisco de Mogi Guaçu, que realiza cerca de 20 procedimentos neurocirúrgicos por mês.

A neurocirurgia com o paciente acordado é uma das formas de tratar a doença. Esse tipo de cirurgia é eficiente para os pacientes que apresentam um tumor cerebral do lado esquerdo do cérebro e está indicada quando o paciente pode perder ou comprometer a fala ou funções motoras durante a cirurgia, assim como o caso do paciente do doutor Mateus Dal Fabbro, do Hospital São Francisco. “Essa é uma das principais regiões que controlam a fala, se a cirurgia fosse feita sem o paciente estar acordado, corre-se o risco de, após a cirurgia, o paciente apresentar um déficit na fala e não conseguir se comunicar corretamente”, explica o doutor.

A melhor técnica para preservar a fala do paciente é realizar a cirurgia com o paciente acordado. Desse modo, enquanto a lesão está sendo ressecada e o tumor retirado, os médicos conversam com o paciente e podem aplicar testes motores e de linguagem, para garantir que nenhuma área cerebral que afeta a fala será comprometida. “Se no momento em que a equipe está ressecando a lesão, percebemos que houve uma piora e está comprometendo a fala, é preferível interromper a cirurgia do que causar uma lesão permanente”, explica Dr. Mateus Dal Fabbro

Nesse procedimento cirúrgico, o paciente recebe uma anestesia geral para que os médicos possam abrir o crânio. Assim que a equipe vai começar a manipular o tecido cerebral, o anestesista aos poucos acorda o paciente. Com o paciente já acordado, a equipe médica pode começar a aplicar os testes necessários e então, remover o tumor. “É importante que o paciente seja acordado aos poucos e devagar, para ele não tome nenhum susto ou ocorra um sobressalto”, explica.

Há uma série de pré-requisitos para se aplicar esse tipo de cirurgia, porém, o mais importante, é que o paciente seja colaborativo e não fique muito ansioso, pois isso pode afetar o procedimento. “O paciente colaborou com a cirurgia e tudo correu bem. Aparentemente nós conseguimos retirar todo o tumor e ele está falando normalmente, sem apresentar nenhum tipo de problema, o que é um sucesso”, conta o neurocirurgião do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu, Dr. Mateus Dal Fabbro

O doutor também explica que mesmo com esta técnica, o paciente pode perder a fala no pós operatório, mas o risco disso acontecer é abaixo de 10%. Caso o tumor cresça novamente no futuro, e o paciente voltar a ter sintomas, é necessário realizar uma nova cirurgia.

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